Devaneio. Imaginação luxuosa. Conversas simpáticas e afáveis. Sorriso adulterado e reconfortante. Mentiras sábias. Bolas de neve, sem creme.
Nem à pancada lhe consegue sugar as verdadeiras palavras que tenta jorrar na mesa do café. Cada um destes empecilhos falsificados ergue-se à beira da sua própria desgraça de forma incontrolada. Nefasta. Pútrida. A sua única salvação, pensam, é ensaiar uma série de ataques desprovidos de veracidade. Como se apedrejassem qualquer uma pessoa de ar. Como se uma recta sem fim fosse uma jogada perfeita. Como se toda a verdade estivesse embutida numa chávena de café. Como se estrangulassem uma vida apenas com um cruzar de pernas. Como se cada botão que colocam no outro lado fosse um delírio que criaram naquele instante. Imediato e verdadeiro.
Só vós peço que não inventem mundos de algodão. Orbes celestiais e maravilhosas. Realidades podres e suculentas que dão asas a assuntos gaseificados e com sabor a oregãos. Como deviam saber, e já que possuem a tão mui nobre capacidade de compor fábulas e ou tragédias, o escritor desfaz-se quando baseia a sua obra em falsidades. É simplesmente o cair do pano.
O balde de água quente.
Pedaços de estrelas incandescentes que vos queimam sem piedade.
Água do mar que consome todo o vosso sal. Não tenho pena. Perdem a melhor qualidade humana - chorar.
Quem ler este texto e se sentir alvejado por uma simples palavra ou definição deve-se ao simples facto de serem mesquinhos e fracos de espírito.
Para vos dar informação pura e concreta, as maiores rochas e montanhas do mundo formaram-se de fragmentos de outrem. Imaginem agora a matéria de que vou ser feito daqui a uns tempos.
De: Miguel Encarnação
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